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Tesouro Direto recua após 1º turno, e gestoras migram para IPCA+ e prefixado
Resumo:Taxas do Tesouro Direto caíram após o 1º turno das eleições de 2026 e voltaram a subir em 15 de outubro. Veja como gestoras ajustaram carteiras entre Selic, IPCA+ e prefixado.

As taxas dos títulos do Tesouro Direto recuaram após o primeiro turno das eleições de 2026, abrindo espaço para novas oportunidades na renda fixa. Em meio a esse movimento, corretoras e gestoras vêm migrando suas preferências para o Tesouro IPCA+ e o Tesouro Prefixado, em detrimento dos papéis pós-fixados atrelados à taxa Selic.
O impacto das urnas e a dinâmica das taxas
A queda nas taxas refletiu a leitura inicial do mercado sobre a liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial. O mercado financeiro atribui ao candidato maiores chances de implementar um ajuste fiscal a partir de 2027, premissa considerada essencial para um ciclo sustentável de queda nos juros. A redução dos rendimentos favoreceu a valorização dos papéis por marcação a mercado (quando a queda das taxas eleva o valor de revenda dos títulos antigos antes do vencimento).
Entre 2 e 5 de outubro, as taxas recuaram expressivamente: Tesouro IPCA+: a taxa do vencimento 2032 caiu de 7,60% para 7,03%; o IPCA+ 2040 recuou de 7,22% para 6,62%; e o IPCA+ 2050 passou de 7,06% para 6,44%. Tesouro Prefixado: o papel com vencimento em 2029 caiu de 13,83% para 12,86%, enquanto o Prefixado 2032 recuou de 14,15% para 13,07%.
A trégua, contudo, durou pouco. Em 15 de outubro, as taxas voltaram a subir devido às incertezas políticas e fiscais. Naquele dia, o Prefixado 2029 subiu para 12,68% (ante 12,51% na véspera), o Prefixado 2032 foi a 12,85%, o IPCA+ 2032 a 6,77%, o IPCA+ 2040 a 6,68% e o IPCA+ 2050 a 6,71%.
Como os Treasuries (títulos do Tesouro americano) operavam em queda no mesmo período, Christopher Galvão, analista da Nord Research, avaliou que o estresse na curva de juros era estritamente doméstico. Os principais gatilhos locais foram as pesquisas eleitorais, a aprovação do fim da escala 6x1 e o perdão de débitos dos MEIs (medidas vistas com apreensão por implicarem renúncia de receita fiscal e pressão sobre as contas públicas).
Perfil dos títulos e prazos recomendados
Tesouro Selic: Apresenta baixa volatilidade e acompanha a taxa básica de juros, sendo ideal para reservas de emergência.
Tesouro IPCA+: Paga a inflação mais uma taxa real fixa, servindo como proteção patrimonial no longo prazo.
Tesouro Prefixado: Trava uma taxa nominal no momento da compra, sendo vantajoso em cenários de queda da inflação e dos juros.
Especialistas recomendam priorizar os vencimentos intermediários do Tesouro IPCA+ (2032 e 2040). Para Erika Andrade, fundadora da Ébano Investimentos, e Gustavo Saula, gestor da SWM Gestão, esses papéis oferecem o melhor equilíbrio entre retorno e volatilidade. Títulos muito longos (como os vencimentos de 2050 em diante) pagam taxas reais semelhantes, mas expõem o investidor a uma oscilação de preço significativamente maior.
Cenário fiscal e perspectivas de médio prazo
Passado o pleito, a atenção do mercado se voltará para os fundamentos econômicos. Mário Machado, assessor da InvestSmart, destaca que os fatores decisivos serão a trajetória da dívida pública, a nova regra fiscal para 2027 e o ritmo de cortes da Selic.
Gabriel Cintra, sócio da Eleva Invest, projeta que, sob um cenário fiscal favorável, a taxa real do Tesouro IPCA+ pode recuar para cerca de 5,5%, gerando oportunidades de ganho via venda antecipada (estratégia reforçada pela recomendação da casa no IPCA+ 2040). Análises da Ghia Multi Family Office mostram que mercados vizinhos (como Chile, Colômbia e Peru) registraram quedas expressivas nos juros futuros após vitórias de candidatos pró-mercado.
Readequação das carteiras pelas gestoras
XP Investimentos e TAG Investimentos: Elevaram a alocação em prefixados para capturar ganhos com o fechamento da curva de juros, reduzindo papéis pós-fixados e mantendo o Tesouro IPCA+ para proteção inflacionária.
Banco Safra: Mantém preferência pelos títulos IPCA+ intermediários (como o 2032) e prefixados curtos (vencimentos até 2028), utilizando o Tesouro Selic como posição defensiva.
EQI Research: Recomenda aos investidores moderados uma migração gradual dos pós-fixados para títulos indexados à inflação, enquanto investidores mais arrojados podem diversificar em ações brasileiras.
Alerta sobre marcação a mercado: Para quem deseja realizar lucros vendendo papéis antecipadamente, João Sales, head da Portfel, sugere reequilibrar a carteira preferencialmente por meio de novos aportes, evitando custos de transação e Imposto de Renda. Gustavo Danilo, especialista da Manchester Investimentos, adverte para o risco de reinvestimento: vender um título com taxa elevada para aplicar em outro pode reduzir o retorno global se não houver um objetivo claro de realocação.
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