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Tarifaço dos EUA: Lista de isenções pode limitar impacto para ativos brasileiros
Resumo:Apesar da decisão, bens como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose ficaram de fora da nova cobrança
Como esperado, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou, ontem, a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida entra em vigor em 22 de julho.
Apesar da decisão, bens como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose ficaram de fora da nova cobrança.
“Na prática, grande parte dos produtos mais importantes da pauta exportadora brasileira não será taxada pela nova medida. Logo, o impacto macroeconômico será limitado, em nossa avaliação”, apontou a XP.
Também na visão da Ágora Investimentos, a confirmação da tarifa segue no radar dos investidores, mas a ampliação da lista de produtos isentos pode reduzir parte dos impactos esperados sobre os ativos de risco domésticos.
O EWZ, principal ETF brasileiro negociado no mercado americano, registrava queda de 0,56%, a US$ 35,70, às 8h52 (horário de Brasília), no pré-mercado.
Cabe ressaltar que associações do setor, contudo, destacaram que a decisão dos EUA indica um resultado “muito negativo” para a relação bilateral.
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Na avaliação da Amcham Brasil, a medida, que entra em vigor a partir de 22 de julho, coloca o Brasil entre os países com condições mais restritivas no mundo para acessar o mercado americano, com tendência a afetar duramente mais de US$ 11 bilhões em exportações industriais e do agronegócio. “Esse tratamento contrasta com o crescente superávit comercial dos EUA com o Brasil – de US$ 41,8 bilhões em bens e serviços em 2025 – e com o baixo patamar das tarifas efetivamente aplicadas pelo Brasil aos produtos americanos”, observa, em nota.
A Amcham também considera que as novas taxas tendem a elevar custos para as empresas e consumidores americanos, reduzir a competitividade das indústrias que utilizam insumos brasileiros e ampliar a dependência de fornecedores asiáticos, com potencial para deteriorar o déficit comercial dos EUA com países daquela região. Além disso, segundo a Câmara, limita as oportunidades de cooperação entre Brasil e EUA em áreas estratégicas, como minerais críticos, energia, economia digital e propriedade intelectual.
Já a Fiesp destacou que a decisão é especialmente prejudicial por ser aplicada de forma unilateral, o que reduz significativamente a competitividade do País perante concorrentes globais.
“Em um momento de extrema sensibilidade econômica mundial, a opção do governo brasileiro por ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington acabou por minar vínculos construídos ao longo de mais de 200 anos de cooperação bilateral”, diz a nota.
Ainda de acordo com a entidade, “a retaliação comercial poderia ter sido evitada com uma condução técnica e pragmática, como buscou a Fiesp durante as audiências públicas nos EUA em outras oportunidades no último ano”.
O governo brasileiro repudiou as tarifas e afirmou que tomará medidas para proteger sua economia dos seus efeitos.
“Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país”, afirmou o governo em comunicado. “Continuaremos a diversificar nossas parcerias comerciais e a abrir novos mercados para nossos produtos.”
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